A criança e a tecnologia - É possível encontrar um equilíbrio?



A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria estabeleceram limites para a exposição das crianças a eletrônicos (TV, games, dispositivos móveis). A recomendação e que crianças de 0 a 2 anos não tenham nenhum tipo de exposição à tecnologia, já as crianças de 3 a 5 anos devem limitar-se a usar eletrônicos por uma hora diária. O tempo sobe para duas horas diárias para crianças de 6 anos a jovens de 18 anos.

Um tanto utópica esta recomendação, considerando que atualmente estamos cercados pela tecnologia. Nós utilizamos celulares, tablets e computadores boa parte de nosso tempo. Então, como proibir a criança em pleno desenvolvimento e curiosidade de utilizar também? Não temos como fugir, o uso da tecnologia é inevitável.

A Academia Americana de Pediatria alerta que o uso excessivo destas tecnologias pode provocar problemas de atenção, dificuldades na escola, distúrbios de alimentação e do sono. A criança em pleno desenvolvimento não pode se limitar ao uso da tecnologia para passar o seu tempo, ela precisa brincar, desenvolver a coordenação motora, explorar os ambientes, interagir com outros adultos e crianças, precisa literalmente gastar energia.

As brincadeiras ao ar livre e interação com outras pessoas são fundamentais para as crianças, mesmo sendo impossível não permitir que elas utilizem de nossas tecnologias, esta jamais deve ser sua atividade principal.

Aqui em casa não temos o hábito de assistir TV, mas isto não evitou que nosso pequeno se encantasse pela Galinha Pintadinha. É quase uma hipnose. Justamente por este poder de reter a atenção da criança, precisamos ficar atentos para não exagerar no tempo de exposição a TVs e demais tecnologias.

Gostei muito do texto NÃO É AUTISMO, É IPAD, publicado no portal R7. Nele a fonoaudióloga Maria Lúcia Novaes Menezes fala sobre esta invasão da tecnologia na criação das crianças e no impacto do uso excessivo de eletrônicos no desenvolvimento da comunicação das crianças. Faz muito sentindo, pois no momento em que a criança está ali com um celular, um tablet ou até mesmo na TV, ela entra em um mundo só dela.

O neuropediatra Christian Muller, membro Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que as crianças desenvolverão a parte cognitiva brincando de encaixar tanto no tablet quanto com peças de brinquedo no chão de casa. “Os dois trabalham a parte cognitiva, mas só o brinquedo desenvolve a parte motora. O ato de encaixar se aprende fazendo.” Ele pondera que os pais não precisam proibir, mas devem buscar um limite saudável.


A criança se diverte facilmente, em algum lugar que não esteja com brinquedo até o próprio corpo a distrai. Fato é que não consegue prender a atenção por muito tempo, exigindo mais criatividade dos pais. Até um passeio no quarteirão de casa se torna divertido para criança. Falando nisto, para ajudar os pais a passarem um tempo de qualidade com os filhos, existe o site Tempo Junto com muitas sugestões de brincadeiras. O site é apaixonante, vale a pena conferir!

Não é preciso proibir o uso da tecnologia e sim encontrar o equilíbrio entre seu uso e as demais atividades da criança. O que não pode acontecer é a tecnologia virar uma babá eletrônica dos pequenos, ai não! Se isto acontece, em pouco tempo, aparecerão problemas no desenvolvimento comportamental, afetivo e social da criança.

Aline Restano, psicóloga e integrante do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas, que estuda o impacto dos eletrônicos na saúde física e mental das crianças, é contrária a regras tão rígidas e ressalta que "o importante é não prejudicar a interação cognitiva e emocional da criança nos dois primeiros anos de vida. Nesta fase, o principal brinquedo dela é a mãe, a troca de olhar."

Se imaginarmos que o uso excessivo de eletrônicos prejudica até os adultos quem dirá as crianças, mas não é difícil encontrar o equilíbrio. A criança pode sim saciar a curiosidade com joguinhos eletrônicos e assistir vídeos de seu interesse, desde que não o faça o dia inteiro.

FONTE:

- Folha de São Paulo. Especialista alerta sobre riscos dos jogos eletrônicos para a saúde das crianças

- ZH Vida. Menos brinquedos eletrônicos

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