Nasce um filho, nasce uma mãe



Ser mãe é uma arte e todas nós sabemos disto. Considerando todos os papéis que a mulher desempenha hoje em casa e no trabalho, sem dúvida nenhuma, o mais criativo e inspirador é o papel de mãe.

Quando penso na chegada do Davi e vejo a velocidade do tempo, me surpreendo comigo mesma. Há pouco tempo atrás a notícia da gravidez tão desejada, um misto de realização e medo que culminavam em uma felicidade que não cabia em mim. Tive a sorte de ter uma obstetra acolhedora e realista, que já no primeiro pré-natal me alertou sobre o pacote da gestação (as delícias deste momento especial acompanhadas de vários sintomas e incômodos), explicando que a gravidez não seria só flores como a mídia propaga.

A gestação foi ótima, com seu pacote natural, mas vivenciada com tranquilidade e alegria. Eu consegui curtir bastante cada momento, cada mês, cada aumento da barriga, cada mexida. Tiramos muitas fotos durante a gravidez e nós mesmos fizemos nosso álbum, que particularmente ficou maravilhoso. Cada final de semana visitávamos um ponto turístico de BH, além do passeio, aproveitávamos para fotografar bastante.

E os noves meses voaram, certo é que o último mês demora mais que a gestação inteira, parece uma eternidade. Hora do parto, durante a gestação somos bombardeadas com os defensores do parto normal e humanizado, e apesar de também ser a favor, não acho correto esta pressão que se faz em cima disto. Na minha humilde opinião, é uma escolha entre paciente e médico, seja por indicação clínica, histórico físico ou emocional da mulher. Este culto que se faz, colocando como se apenas o parto normal fosse o correto e válido só aumenta a culpa da mãe que por algum motivo fez ou fará uma cesariana.

E então nasce o filho tão desejado, tão amado! Quem disse que não existe amor a primeira vista? Se já o amávamos dentro da barriga, quando o vemos pela primeira vez e ouvimos seu primeiro chorinho este amor se multiplica por infinito. É no nascimento do filho que nasce a mãe. Se for mãe de primeira viagem, até então tudo que sabemos é teoria, experiência de outras mães, mas na prática é tudo muito diferente.

A primeira semana com o bebê é um caos, como bem me alertou minha obstetra. CAOS é a melhor palavra para descrever os primeiros dias com o bebê. É um período de adaptação, de conhecermos nosso bebê e ele nos conhecer. Conhecer os choros, o tempo dele. E aquele ser tão lindo, tão indefeso e a gente se depara com o "- E agora?". Mas aprendemos muito rápido a sermos mães, cada uma do seu jeito, com suas particularidades, com seus desafios. Aprendemos a entender e a cuidar de nosso filho quando ouvimos nosso coração, quando seguimos nossos instintos. Somos sem dúvida nenhuma a melhor mãe que podemos ser.

E entre um choro e outro (do bebê e nosso), entre uma insegurança e outra, passa-se a primeira semana, o primeiro mês. Contando com um bom pediatra nos sentimos mais amparadas e seguras. Eu curti muito cada momento, mas sonhava com a chegada do terceiro mês do Davi. Passam-se os três meses e já estamos adaptadas ao mundo materno. Já identificamos o choro do bebê, os sentimentos dele, os horários de sono, já somos totalmente acolhedoras e o confortamos muito bem nos "choros emocionais". Os três primeiros meses, na minha opinião, são os mais difíceis e cansativos, é quando estamos nos adaptando ao nosso novo papel, muda tudo, nosso corpo, nossos sentimentos, nosso emocional, nossos horários e por ai vai... poderíamos descrever inúmeras mudanças inerentes a maternidade.

Os três primeiros meses são os que mais demoram a passar, parecem uma eternidade, noites mal dormidas que não acabam nunca, um cansaço interminável. É uma rotina mais pesada e trabalhosa, talvez porque o bebê ainda não é capaz de interagir conosco, a vida dele se resume nos cuidados pela sua segurança e bem estar. Ficamos num ciclo: acorda, mama, troca fralda, dorme, acorda, mama, troca fralda, banho, dorme, acorda... Cansa e cansa muito.

Com o passar dos meses cada mãe cria a própria rotina da família, que tem mais haver com a dinâmica existente no seu lar, do que com inúmeras teorias de certo e errado. Uma coisa que aprendi é que na maternidade não existe certo e nem errado, existe o que funciona para você e o que não funciona para você. Acredito que somos tão apontadas pelo outros que aprendemos (ou pelo menos deveríamos aprender) a não apontar e a não julgar. Cada mãe faz o seu melhor, de acordo com seus valores, suas prioridades e seu jeito de ser.

Depois do terceiro mês o tempo voa. Quando se assusta já fez 01 ano e daqui a pouco 02. As mudanças são enormes, acompanhamos cada uma delas com euforia e comemoração. Rolar, sentar, engatinhar, dizer mamãe, andar, falar... Cada etapa do desenvolvimento é deliciosa de acompanhar, de curtir. A vida fica mais colorida, mais divertida, mais feliz! Claro que os desafios não se esquecem de nós, que bom que é assim, pois podemos vencer e aprender com cada um deles.

Não somos mais as mesmas pessoas que éramos antes de ser mãe. Tanta coisa que valorizávamos e hoje percebemos como desnecessárias. Ao nos tornarmos mães, nos tornamos mais criativas, mais inspiradas e mais humanas. Nos reinventamos. Nossas prioridades mudam, nossa visão de mundo muda, nossa vida muda completamente como jamais imaginaríamos.

E o sorriso do filho, o olhar, o abraço... Ah o abraço, o mundo cabe neste abraço e ele apaga todo nosso cansaço. São estes pequenos grandes detalhes que tornam a maternidade tão especial!

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