Em segunda viagem



Estou em segunda viagem. Isso não implica dizer que estamos isentas das angústias da maternidade. Em verdade, as angústias humanas são infindáveis e os devaneios maternos dão voltas que ninguém imagina!

Minha pequena veio sem aviso e em um momento em que eu já pensava na possibilidade de não ter mais filhos. Passava até por problemas com a regularidade menstrual. Mas quando tudo indicava o contrário, ela apareceu.

Confesso que não foi sem medo que recebi o exame que confirmou a gravidez. Contudo, as preocupações eram completamente diferentes daquelas da primeira gestação: estava mais velha, mais pesada, cheia de atividades e compromissos e com outra criança para cuidar! Como administrar tudo isso?

Mantinha uma rotina muito acelerada, entre as atividades do meu filho de cinco anos (escola, tarefas de casa, atividades extracurriculares, futebol, capoeira, médico de vez em quando, alimentação, festas infantis, gracinhas, choros, teimosias, birras...); grandes mudanças em minha vida profissional e as tarefas domésticas, que realizo em parceria com meu esposo, pois não temos ajudante em casa.

Corria, literalmente, dia após dia para dar conta de tudo a tempo e à hora, deixando-me, até, um pouco de lado, pois eram tantas as demandas que não conseguia encaixar um tempo para mim, na minha própria vida! Mas, no instante em que o exame que fiz “só por desencargo de consciência” deu positivo, tive que parar, respirar fundo e pisar no freio: havia algo mais importante naquele momento.


Fiquei confusa com tudo aquilo, a ficha custou um pouco a cair. . . e caiu no momento em que percebi que poderia perder meu bebê que estava por vir: na primeira ultrassonografia, o médico detectou um descolamento da placenta. Tive que ficar em um repouso dolorido por quinze dias. Para quem mal se sentava para comer, ficar deitada, em repouso absoluto, foi um sofrimento! Não aguentava mais a cama, o sofá, a TV, o Whatsapp, o Facebook, nada me distraía! Só aquela agonia me consumia: o medo de perder o bebê. Descobri um amor imenso por aquele serzinho de um centímetro e que eu nem sabia, há alguns dias, estar alojado em meu ventre.

Estava angustiada e sentia que o teto ia cair sobre mim a qualquer momento. Mas não caiu. . . Após quinze dias, fiz novo exame: o repouso deu certo e o bebê estava mais forte que nunca. Um grande alívio tomou conta de mim. Finalmente, fiquei muito feliz com a minha gravidez e comecei a a ansiar pela criança que está por vir, com todo o meu amor de mãe.

Os enjoos apareceram logo e permanecem até hoje (24 semanas de gestação), acreditem?! Na gravidez anterior quase não enjoei. Comecei a perceber que as gestações são completamente diferentes umas das outras, muito embora existam algumas semelhanças. Meu corpo arredondado e o enjoo constante fizeram minha mãe e outras entendedoras dos costumes antigos suspeitarem de que seria uma menina.

Na ultrassonografia seguinte, o médico concluiu que, de fato, era uma garotinha! Ri-me um pouco: “os antigos”, apesar de antigos, continuavam acertando, em sua sabedoria.

Ando às voltas com pés inchados; com o controle do peso e da pressão; com as espinhas; com as estrias e com o enjoo... Mas tudo isso vai passar, como passou da outra vez. É curioso como nos submetemos a tudo de novo, sem pestanejar.

E minha filha continua a crescer dentro de mim, que aguardo ansiosa sua chegada ao mundo! Trata-se da segunda viagem, mas a emoção, ahh, é continua a mesma!

#SerMãe