Primeiro Voo Solo



Amanhã começam às aulas do meu pequeno. Dois anos, 24 horas com ele e me perguntam se eu vou sentir a entrada dele na escola. A resposta me parece óbvia.

Não há dúvidas que a escola será boa para o seu desenvolvimento e que irá possibilitar que ele conviva por mais tempo com outras crianças, considerando que em nossas famílias só há adultos, e mesmo brincando em pracinhas e com vizinhos o tempo é curto. Também é fato que preciso de um tempo para me organizar e retomar minhas atividades profissionais.

Mas embora estes sejam os argumentos usados para me consolar, não invalidam meu sentimento, o aperto no meu coração e a necessidade do desprendimento. Estou me sentindo como se a licença maternidade estivesse acabando.

Optei por cuidar integralmente do meu filho nestes dois anos, admiro as mães que continuam a trabalhar e jamais imaginei que deixaria de trabalhar para cuidar do filho e da casa. Mas ao fazer está opção junto com meu esposo, sinto que fiz a escolha certa. Foi maravilhoso acompanhar e comemorar cada etapa de desenvolvimento do meu filho nestes primeiros dois anos.

As críticas surgem dos dois lados, se a mãe continua a trabalhar ou se para. Parece que as pessoas tem o prazer de desdenhar nossa condição de mãe, seja ela qual for. Mas fato é que como todas as outras escolhas da maternidade, só diz respeito aos pais. Assim como o momento certo de colocar o filho na escolinha.

Chega um momento em que apenas o nosso convívio fica insuficiente. A criança quer mais! Ela quer brincar com outras crianças, quer novidades. E mesmo indo em pracinhas e parques não é igual ao convívio escolar.

Optamos por matricular Davi em uma escola com valores similares ao que buscamos ensiná-lo. Quanto a escolha da escola estou muito segura e satisfeita! Quanto ao que precisa ser feito para auxiliar na adaptação dele também!

Já trabalhei com escola infantil e é muito interessante, agora, estar no lugar da mãe. Parece tão fácil falar que a mãe precisa ser forte, que a forma que ela reage a esta adaptação irá influenciar a criança e blábláblá. Já presenciei tantas adaptações e agora chega a minha vez de passar por esta etapa de iniciação da vida escolar.

Passa tanta coisa pela nossa cabeça: "-Como será que ele irá ficar? -Vai chorar muito? - Vão conseguir consolá-lo? - A professora irá cuidar dele como eu cuido? - Receberá afeto?" E por ai vai.. questionamentos bobos, mas que vira e mexe aparecem.

Amanhã começam as aulas e eu desde sexta-feira já estou meio saudosa e chorando escondido. Lógico que vou ser forte e meu filho não vai me ver chorar, mas é inevitável, nem que seja o choro da alma, imperceptível, mas está aqui apertando meu peito.

Será uma nova etapa para nós dois, com certeza bem sucedida. Pois não há razão de ser diferente. O sucesso da adaptação na escola depende muito mais dos pais e professores do que da criança. E nós mãe podemos fazer este momento menos sofrido para os filhos.

Algumas dicas para facilitar esta adaptação:

  • Nunca minta para seu filho

  • Não saia da escola sem se despedir dele, mesmo que a despedida seja difícil, não saia escondido.

  • Antes do início das aulas estimule a independência da criança.

  • A segurança dos pais é essencial para adaptação da criança na escola. Pais seguros, crianças felizes!

  • Mantenha um relacionamento próximo com a escola e os profissionais que estão no dia a dia com seu filho

  • Fique atento ao choro do seu filho para identificar se é um choro manipulador ou se realmente tem algum “sofrimento” no choro.

  • Permita-se sentir. Os sentimentos maternos neste momento são contraditórios e legitímos. Sinta, elabore, mas passe segurança para o seu filho.

E assim começa o primeiro voo solo do meu pequeno!

"Filho é pipa. Precisa vento, precisa linha, precisa embate também. Cada uma com sua rota, seu voo, seu aprendizado. Voltam rasgadas, tronchas, sem um pedaço da rabiola? A gente dá colo, passa remédio, sopra e manda voar de novo. É no voo que se aprende a voar. Pipa bonita é a que dança no ar." (Mônica Bayeh)

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