Quando eles crescem



O tempo passa tão rápido que nós nem percebemos quando as crianças crescem... De repente, elas se trocam sozinhas, comem sem a nossa ajuda, têm opinião própria, ainda que sejam pensamentos de criança.

Em um piscar de olhos, não estamos mais com o controle completo de suas pequenas vidas e experiências: vão para a escola, desenvolvem-se, passeiam, fazem amigos, brigam e se reconciliam, às vezes, sem que sequer tomemos conhecimento de tudo isso.

Meu filho mais velho está às vésperas de completar seis anos e, apesar de já ir à escola desde muito pequeno, começa a fazê-lo com uma independência que ainda não havia percebido nele: escolheu os materiais escolares e a mochila com os super-heróis; não quis continuar no futebol e nem comer o lanche da escola. De repente, meu filho começou a escolher o próprio destino.

Confesso a minha insegurança, certo ciúme até, pois meu pequeno começa a ganhar o mundo... Consolo-me porque não sou a única a sentir essa vontade imensa de proteger a prole não sei de quê.

Este é um mundo com perigos contra os quais pouco se pode lutar; mas há, também, uma vontadezinha velada de que meu filho não cresça e continue sendo, para sempre, o meu pequeno.


Contudo, o tempo passa, as crianças crescem, mudam seus interesses e têm uma vontade imensa de conhecer e viver tudo! E, da mesma forma que uma vez crescemos e procuramos nossas experiências, devemos permitir aos filhotes deixar o ninho e conhecer, aos poucos, o mundo que os rodeia.

Isso não é muito fácil... Na verdade, é terrível! Terrível, mas inevitável...

O que tenho feito, ou tentado fazer, é um exercício diário de desprendimento. É claro que precedido de um milhão e meio de recomendações e precauções, além de ansiar para que a tia da escola (da colônia de férias, da natação, enfim, de qualquer lugar onde ele vá estar sem a minha presença) tenha uma predileção especial pelo meu menino levado da breca e possa protegê-lo por mim.

Há, ainda, aquela dúvida estranha e cruel: chegará um tempo no qual não precisará mais de mim?Certamente, não precisará dessa forma, com tantos cuidados pessoais, mas de outras tantas que só os novos tempos trarão.

É forçoso reconhecer o quanto, também, os pais precisam de seus filhos para preencher-lhes as vidas, imaginar e sonhar por eles e com eles. É tentador decidir-lhes o rumo, da mesma forma que, outrora, trocavam-se suas roupas ou davam-lhes de comer.

Contudo, caberá às nossas crianças, quando crescidas, decidirem seus rumos e, para fazê-los bem, devem começar escolhendo a mochila de super-heróis e preferindo não fazer aulas de futebol. Obviamente, nos cabe colocar limites no que for necessário, afinal, ainda estão aprendendo a voar, mas sem lhes cortar as asas, para que se aperfeiçoem em seus próprios vôos.

#SerMãe