A Arte de Educar



São duas as minhas crianças: um rapazinho de sete anos e uma mocinha de um ano e quatro meses. Assusto-me um pouco quando penso na responsabilidade que tenho em educá-los.

Não se trata, apenas, da instrução intelectual, que é muito importante, nem me refiro, tão somente, às boas maneiras e ao trato social, mas na intenção que tenho de torná-los seres humanos dignos, honestos e preocupados com seu mundo e com as outras pessoas com quem convivem.


O motivo da minha preocupação é perceber que, no mundo em que vivemos, as pessoas estão cada vez mais individualistas e insensíveis ao próximo. Há, ainda, uma crise de valores, na qual ser honesto e solidário significa ser bobo. Para atingir os próprios objetivos vale qualquer coisa. Não que lutar para alcançar suas metas seja errado, muito pelo contrário: ter objetivos e trabalhar para alcançá-los é algo que nos move por toda a vida. Mas não se pode utilizar de todo e qualquer meio, mesmo escuso, para conseguir o que se quer.

Muito da crise política e social pela qual o Brasil e o mundo passam hoje é resultado dessa inversão de valores que paira sobre todos, ainda que de forma velada. E acredito, sinceramente, que isso é um problema de educação.

Observo meu filho mais velho e seus colegas de escola, tão jovens e competindo entre si para ver quem tem o brinquedo mais legal, o tênis mais maneiro, até a mochila da escola é motivo de competição. Aprender, ter novos conhecimentos e lidar de maneira adequada uns com os outros parece que é o que menos importa. Vencer, ser o mais popular entre os demais, estar inserido no grupo de qualquer maneira é o objetivo dessas crianças, com sete anos de idade.

E há muito que, por equívoco, acabamos por ensinar aos nossos pequenos. Isto porque queremos tanto que eles sejam bem sucedidos, melhores do que nós mesmos somos, que os preparamos para enfrentar a guerra do dia a dia, sem observar que até para tanto há limites.

E cabe aos pais direcionar e ensinar valores aos filhos para que possam ser pessoas retas e firmes em suas opiniões e ações. Isso não é fácil, não está sendo fácil, não com um universo inteiro berrando o contrário.

No entanto, não podemos desistir disso, porque uma condição de vida melhor para nossas crianças depende sim do nosso esforço em fazê-los adultos com índole melhor.

Educar não é só uma arte, muito embora fazê-lo requeira muito de nossa criatividade. Educar exige muito empenho e um exercício constante de persistência, para, quem sabe, o mundo que nossos filhos irão vivenciar tenha dos humanos mais humanidade.

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