Mamãe Bobinha!



O desenho Peppa Pig ganhou o gosto das crianças pequenas e é capaz de mantê-las quietas por minutos seguidos, quase que hipnotizadas. Peppa Pig é uma porquinha rosa que demonstra interesse em aprender e conhecer coisas novas, é curiosa e pergunta bastante. O desenho tem seu lado educativo e ensina diversos vocabulários para as crianças.

Davi mostrou interesse pelo desenho por volta de seus 2 anos e meio. Na semana em que ele "descobriu" o desenho, percebi que ele começou a chorar mais sem motivo aparente e as birras também haviam aumentado. Tentando analisar o que havia acontecido de diferente naquela semana, que justificasse uma mudança significativa em seu comportamento, cheguei ao desenho da Peppa, que até então para mim era inofensivo. (Aqui cabe um parêntese, admiro demais os pais que conseguem manter os filhos longe da tecnologia, mas para a mãe que fica sozinha com a criança em boa parte do tempo e precisa cozinhar, ir ao banheiro, atender um telefone,... o tablet, o celular e/ou a televisão são bons aliados, claro que não podem ser transformados em babás eletrônicas, ai é outra história, mas na minha opinião, por um curto período de tempo são de grande valia).

Pois bem, ao analisar mais de perto o desenho. Vi uma porquinha autoritária, que pouco respeita as regras e as pessoas, um irmão mais novo chorão, pais permissivos. Uma família como tantas outras, mas dependendo dos valores que passamos para nossos filhos, a Peppa não é um exemplo a ser seguido. Cortei o desenho do Davi por um tempo e expliquei o porquê. A mudança no comportamento dele foi notória após parar de ver o desenho.

Passado um bom tempo, ele vez ou outra pedia para assistir e eu deixava, mas explicava que não era para ficar chorando por tudo como o George, que o George era um bebê, não sabia falar e por isto chorava por tudo. E que a Peppa desobedecia muito os pais e isto era feio. Ele concordava e assistia o desenho feliz da vida.

Com o passar do tempo Davi se desinteressou pela Peppa e há um bom tempo não assiste. Porém, passou a chamar eu e o pai de bobinhos. Nossa expressão de descontentamento e repreensão, acabou por reforçar este comportamento. A todo momento era mamãe bobinha. Repreender, pedir para não dizer isto, explicando o porquê, não estava adiantando.


Então passei a ignorar o fato, ele chamava e eu não expressava nada. E ele ainda dizia: "-Mamãe te chamei de bobinha" e eu só respondia "- Tá". Também não adiantou.

Como mais uma tentativa, porque educar um filho é a arte de tentar e insistir inúmeras vezes, e com a proximidade do Dia das Crianças, optei por "escolha e consequência". Eu e o pai estipulamos um valor para o presente do Dia das Crianças, explicamos a Davi o que ele poderia comprar com este valor e combinamos com ele que cada vez que ele chamasse mamãe ou papai de bobinhos ou de qualquer outra coisa, ele perderia R$1,00 deste valor. Ele já perdeu uns R$10,00, mas a situação diminui muitooooooo. Ele agora ameaça falar, lembra do combinado e fica apenas no Mamãe. Quando a palavra "bobinha" escapa, ele mesmo fala "- Menos R$1,00, né Mamãe?" e eu confirmo.

As crianças são muito inteligentes e nada como um combinado para nos ajudar a educá-los e ao mesmo tempo ensinar na prática que nossas escolhas tem consequências. Esse nosso combinado teve um efeito imediato, até melhor do que imaginei que teria. É importante lembrar que o que for prometido deve ser cumprido, senão a palavra dos pais perdem o sentido.

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